Pesquisa da Anbima mostra que Instituições ainda não implementam ações de forma integrada e faltam metas e indicadores de acompanhamento

Metade das instituições financeiras brasileiras já firmou compromissos com a promoção da diversidade e da inclusão. É o que mostra a pesquisa Diversidade e Inclusão nos Mercados Financeiro e de Capitais realizada pela Anbima (Associação Brasileiras das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), que mapeou a maturidade do setor em relação à pauta. O levantamento foi feito com instituições associadas à Anbima em julho de 2021.

O levantamento mostrou que 52% das instituições financeiras têm políticas para tratar do tema. O número é relevante, mas não se reflete em ações práticas: apenas 24% definiram metas e 35% têm indicadores e dashboards para acompanhamento dos avanços — dois elementos estratégicos para obtenção de resultados mais robustos.

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“A experiência do mercado tem sido de começar a trabalhar com diversidade e inclusão de forma mais espontânea e só depois que esse esforço é formalizado em políticas e trabalhado de forma mais estruturada”, comenta Marcelo Billi, superintendente de Comunicação, Educação e Certificação da entidade. “É preciso aproveitar a percepção de importância do assunto e o engajamento da liderança para que a pauta saia do campo do discurso e se traduzo em algo estruturado com objetivos e metas bem definidos”.

A pesquisa analisou as práticas do mercado com base em dimensões que, integradas, sistematizam a atuação corporativa em diversidade e inclusão. As ações partem de como a gestão e a governança se posicionam em relação a compromissos e formulação de políticas institucionais, como isso se desdobra em metas e objetivos e os indicadores definidos para acompanhar o desempenho das ações e se desdobra em oito ações práticas aplicadas internamente e em suas redes de relacionamento.

Isonomia salarial e ações desenvolvimento interno são práticas mais desenvolvidas na maioria das empresas. Essas ações são adotadas, respectivamente, por 80% e 82% das instituições financeiras com foco na diversidade de gênero e de cor, raça e etnia. Na outra ponta estão as ações de mobilização de colaboradores e da cadeia de valor. Apenas 30% possuem grupos de afinidade para públicos diversos e 20% têm medidas para garantir diversidade em seus fornecedores e parceiros.

A falta de maturidade em lidar com o tema é percebida pelo mercado: apenas 16% das instituições consideram ter uma atuação estruturada e regular no campo da diversidade e inclusão. Por outro lado, 26% admitem não ter atuação, mas têm interesse em começar.

Quando olhamos por tipo de instituição, os conglomerados são o tipo de instituição que mais tem avançado na pauta: 50% declaram ter uma atuação estruturada e regular. “Esse avanço é esperado na medida em que essas instituições têm mais relacionamento com as diversas comunidades em que estão incluídos, têm as portas abertas para participação em fóruns que debatem a pauta e uma relação muito próxima com órgãos governamentais e de classe que tratam desses assuntos”, explica Gilberto Costa, coordenador do Grupo de Trabalho de Diversidade e Inclusão da Anbima. “Essas conexões aliadas a uma grande estrutura permitem que esse tema chegue mais fácil para dentro de casa e se transformem em políticas e iniciativas mais concretas”. É pensando nisso que a Anbima irá criar uma rede de promoção da diversidade e inclusão entre seus associados. “Essas empresas já mudaram paradigmas, testaram iniciativas e podem compartilhar experiências com quem não teve esse acesso”, completa Gilberto.

A pesquisa Diversidade e Inclusão nos Mercados Financeiro e de Capitais é pioneira no mercado e embasará o plano de ação para fomentar a diversidade e inclusão no mercado de capitais, uma das prioridades estratégicas da Anbima para o ano de 2022. A pauta já fazia parte da agenda ESG (ambiental, social e governança) da instituição, mas ganha mais atenção a partir de agora.

“Diversidade e inclusão é um assunto que não se colocava na mesa do mercado financeiro a até poucos anos atrás”, comenta Gilberto. “Essa pesquisa marca um avanço gigante na indústria e traz um sinal de que todo o mercado está se mobilizando para reconhecer a importância desses temas”.

O relatório com os resultados traça um panorama sobre como o mercado de capitais percebe os temas da diversidade e da inclusão, qual o seu nível de maturidade e quais ações e políticas adotadas para promoção do tema.

O estudo completo pode ser acessado nesta página do site da Anbima.

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