Pioneira no Brasil no fomento e aceleração de negócios de impacto social, a Artemisia conduziu um levantamento com mais de 370 negócios analisados para o processo de seleção do programa de aceleração Lab NIP; entre eles, empresas periféricas e de impacto socioambiental de diferentes setores. Entre as mapeadas, 232 negócios (62%) são liderados por mulheres; desses, 59% são conduzidos por mulheres negras e periféricas

O empreendedorismo social feminino prospera e fortalece o Brasil. A despeito dos desafios encontrados para empreender, as mulheres estão transformando escassez em abundância de soluções criativas em diferentes setores. Um mapeamento conduzido pela Artemisia – organização pioneira no país no fomento de negócios de impacto social – com mais de 370 negócios periféricos das regiões Sul e Sudeste aponta que das empresas analisadas, 232 são lideradas por mulheres; dessas, 59% são conduzidas por empreendedoras pretas e periféricas. A análise integra o processo seletivo do Lab NIP: Negócios de Impacto da Periferia, programa gratuito de aceleração criado pela Artemisia, A Banca e FGVcenn, alinhado ao conceito de inclusão produtiva. Por meio de metodologia exclusiva, a iniciativa aceleradora potencializa negócios criados e geridos por empreendedores sociais de periferias.

Segundo Maure Pessanha, diretora-executiva da Artemisia, o levantamento – concluído em maio de 2021 – foi feita pela equipe de Busca e Seleção de Negócios da organização. “O mapeamento contou com uma análise do perfil dos negócios e dos sócios, além de entrevistas em profundidade com 20% da base de analisados, que lideram negócios de impacto social em diferentes territórios. O objetivo é produzir um conhecimento qualificado sobre esses empreendedores e entender quais são as principais demandas como, por exemplo, letramento digital que pode auxiliar na potencialização das vendas”, afirma a executiva.

Canecas Personalizadas

Um dos exemplos dos negócios liderados por mulheres é o LabJaca. Fundado no Rio de Janeiro por Mariana de Paula Santos, a empresa é um laboratório que transforma dados, pesquisas e comunicação – compilados nas favelas e periferias – em narrativas audiovisuais acessíveis para a população. O objetivo é combater a narrativa “marginal” que costuma estigmatizar o morador de favela, trocando-a pela valorização do conhecimento local e pautar políticas públicas que visam potencializar esse território.

Visão do Bem é um outro exemplo. Criado em 2017 por Ana Lúcia Barbosa Santos, no Rio de Janeiro, o negócio de impacto social realiza a venda de óculos de grau, exclusivamente dentro das comunidades. O foco é oferecer, a pessoas em situação de vulnerabilidade social, o acesso a consulta, exame oftalmológico e óculos de qualidade com preços acessíveis. A venda é feita por mulheres moradoras das comunidades, que passam por capacitação e atuam como comissionadas para terem renda com a revenda direta porta a porta.

Em Ribeirão Preto, São Paulo, a arquiteta e urbanista Natascha Vital tem conduzido a AzA Vital Studio – negócio de impacto social que tem como princípio tornar a arquitetura acessível. A empresa atua com serviços de reformas e obras de pequenas construções – de residências e espaços culturais e de lazer das periferias da cidade. A empreendedora norteia o trabalho pelo objetivo de evitar erros e desperdícios de materiais nas obras, dando a oportunidade de ter um planejamento técnico para este território.

De acordo com Fabiana Ivo, gestora operacional da Articuladora de Negócios de Impacto da Periferia (ANIP), mesmo com todos os avanços no campo do empreendedorismo, ainda hoje, o empreendedorismo social feminino segue enfrentando diversos desafios. “Dentre eles, destaco a dificuldade em se obter igualdade em temas como acesso a capital-semente e crédito justo, fatores que podem impedir o desenvolvimento de negócios liderados por mulheres”, afirma, acrescentando que é necessário evidenciar o impacto positivo que esses negócios – encabeçados por empreendedoras que produzem em seus territórios – e, também, enxergar o aumento da qualidade de vida de outras mulheres do entorno.

Para Edgard Barki, coordenador do FGVcenn, o mapeamento mostra a força do empreendedorismo feminino na periferia e, principalmente, das empreendedoras negras. “Os negócios liderados por essas mulheres movimentam a economia e criam emprego e renda. É preciso criar mais mecanismos de apoio para que essas empreendedoras possam se estruturar melhor e potencializar ainda mais seus negócios”, defende.

Conclusões do mapeamento

Mapeamento de +370 negócios periféricos das regiões sul e sudeste do país

  • As mulheres negras estão no comando dos negócios periféricos: a maioria dos mais de 370 negócios analisados pela Artemisia são liderados por mulheres: 232 negócios, o equivalente a 62% dos mapeados. Empreendedoras negras e periféricas lideram 59% dessas empresas de impacto social, que reportam que, embora a motivação para empreender tenha sido, muitas vezes, por necessidade, amam o que fazem.
  • Migração para o digital: vários dos negócios que integram o mapeamento já tinham um canal digital (site, Instagram e Facebook), antes da pandemia. Hoje, no contexto de distanciamento social, estão aprendendo a vender os produtos e serviços de maneira totalmente ou parcialmente digital.
  • Vendas diminuíram na pandemia: muitos empreendedores foram e ainda estão sendo afetados economicamente pela pandemia.
  • “Quero viver do meu negócio, mas ainda não consigo”: essa é a fala de muitos dos empreendedores que lideram os mais de 370 negócios mapeados. A sustentabilidade financeira é algo que consideram importante, mas que ainda não conseguem atingir com sucesso.
  • Parceria: a maioria dos empreendedores não está sozinha na empreitada, ou seja, contam com sócios, equipe ou terceirizados; mas muitos não conseguem ainda se dedicar 100% do tempo ao negócio.
  • Setores: o mapeamento mostrou que a maioria dos negócios se enquadra em setores como Arte e Cultura, Moda & Acessórios e Artesanato. Um ponto que se destaca é o grande número de negócios que se encaixam no microempreendedorismo. “Esse é um ponto interessante porque são iniciativas que buscam formar novos empreendedores dentro da periferia – sobretudo, jovens, mulheres e integrantes de públicos em situação de vulnerabilidade. Há, também, empreendedores mais experientes que precisam se reinventar e se estabelecer melhor em um cenário pós-pandemia”, detalha Maure Pessanha.
  • Homens: dos 126 negócios liderados por eles (33,8%), o mapeamento aponta que 36,5% são de raça preta; 31,7% de raça parda; e 24,6% são de raça branca.

*Dados baseados em autodeclarações feitas pelos empreendedores e empreendedoras do programa.

 

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