Soluções tecnológicas, debates com líderes e reflexões sobre um mundo mais verde foram destaque na agenda do evento Greentech América Latina. Plataforma inédita de negócios foi lançada para cadastrar e encontrar as soluções

A necessidade urgente de reestruturação das empresas de qualquer porte ao redor de programas, métodos sustentáveis e mecanismos de baixa emissão de carbono marcaram a edição 2021 do Green Tech América Latina, um dos maiores eventos sobre tecnologias verdes do globo. Durante os dias 22, 23 e 24 de novembro, soluções como energia limpa, focadas na preservação ambiental e na atenção aos seres humanos foram apresentadas ao mundo como alternativas rentáveis, escaláveis e socialmente responsáveis para derrubar antigos paradigmas produtivos e funcionais de empresas de qualquer porte.

O GreenTech América Latina é um programa de seleção e desenvolvimento de startups, com tecnologias que despoluem ou reduzem a emissão de gases de efeito estufa na região, realizado pela Build From Scratch (BFS), em parceria com a Green Innovation Group A/S.

Canecas Personalizadas

“Esse evento é formado por muitas pessoas que acreditam que o crescimento das tecnologias sustentáveis também é necessário. Então, sempre que há uma oportunidade de ouvir essas pessoas, é importante, pois acrescenta profundamente aos debates que temos conduzido sobre sustentabilidade e o futuro do planeta. Por isso, sempre convidamos essas mentes para estarem conosco no GreenTech”, explicou Tiago Brasil Rocha, fundador da Build from Scratch (BFS) e idealizador do Greentech America Latina.

Julio Moura Neto, co-fundador da Vesper Ventures, participou da abertura do evento: “As empresas precisam incluir em seus processos de gestão uma leitura mais ampla do mundo, mais generosa, mais ligada às demandas da sociedade. E também às necessidades vitais do ser humano, claro. É muito simples e fundamental, ao mesmo tempo. Isso garante, hoje, grandes resultados, o triplo do que essas empresas alcançam sem tecnologias verdes. Precisamos investir mais na disrupção, na ciência e na transformação das empresas. E que sejam empresas mais responsáveis, bem como os cidadãos”, comentou o empresário.

Plataforma de negócios para uma agenda verde

No primeiro dia de evento (22/11), foi lançada uma plataforma para pesquisa de soluções tecnológicas verdes escaláveis para assimilação direta por organizações de qualquer porte que estejam na transição para modelos e metodologias mais sustentáveis. Esse é o objetivo do inédito GreenTech Business, um site onde visitantes podem facilmente pesquisar soluções por área e descobrir instrumentos para serem diretamente aplicados em processos e problemáticas internas. São dezenas de temas, de “Eficiência de Recursos” a “Biomateriais”, passando por ferramentas para equacionar questões “Logísticas”, de “Biossegurança” ou até “Alimentação”. Saídas para “Direito e Governança Ambiental” ou “Educação” também estão na lista junto a outras tendências. Do outro lado do balcão, empresas que desenvolveram soluções tecnológicas podem se cadastrar na plataforma, ganhando visibilidade e oportunidades comerciais.

As questões do momento e propostas de solução

O dia também contou contou com dois painéis principais, “Tendências e Oportunidades Regulatórias do ESG” e “Novas tendências do mercado de carbono”, com discussões acerca das novas possibilidades para o setor produtivo a partir das tecnologias verdes, provocadas pelos c-levels Alexei Bonamin, da TozziniFreire, Ana Luci Grizzi, do IFC, Brendan Walsh, da ESG Risk Guard, e Bruno Peixoto, do Mosimann-Hom. As conversas antecederam a apresentação das primeiras soluções a serem avaliadas pelos jurados, no campo do mercado de carbono. Os projetos podem ser explorados a partir dos links no portal oficial.

“A responsabilidade das empresas já está sofrendo grande influência desse novo ambiente regulatório, especialmente no mercado financeiro, mas também em um contexto de padrão de consumo. Na indústria, por exemplo, a necessidade de matérias primas renováveis e as mudanças provocadas pelo cisne verde, devido aos riscos climáticos e ambientais. O tradicional modelo regulatório econômico parece não dar conta de lidar com esses riscos que podem ocorrer”, explicou Bruno Peixoto.

O segundo dia do evento contou com a abertura de Derk Loorbach, diretor da Drift e professor de economia social, que participou de um painel especial para discutir as transições radicais e os novos modelos de governança estabelecidos por paradigmas sustentáveis. A programação contou, na sequência, com diálogos importantes sobre investimentos em finanças verdes e soluções biotecnológicas. Os convidados discutiram aportes feitos por grandes corporações em alternativas sustentáveis, evidenciando os objetivos e resultados alcançados, e também a respeito do desenvolvimento do setor agrícola, acelerado pela atualização tecnológica verde.

Participaram os executivos Antonio Potenza, da Fund4Impact, Chis Cucci, da First Climate Bank, Franklin Luzes, da Microsoft, Sérgio Suchodolski, da BDMG, Alexandre Alonso, da Embrapa, Flávio Zaclis, da Barn Investimentos, Laura Antoniazi, da Agroícone e Maurício Cardenas, da Câmara Verde de Comércio. Ao todo, nove soluções foram apresentadas.

“A gente, hoje, passa pelo início de um processo de transição, de uma economia fóssil não renovável para uma bioeconomia de origem renovável. E não somente renovável mas bio-renovável. Então, essa bioeconomia que está nascendo, que está crescendo, traz uma série de oportunidades, assim como traz uma série de desafios que penso estarem equacionados por essa área de biotecnologia. A cadeia alimentícia é movimentada pela bioeconomia e o Brasil tem uma posição de destaque nessa história, porque tem uma agricultura pujante e um ecossistema de inovação de pesquisa agropecuária bastante forte”, explicou Alexandre Alonso.

Esperança no alinhamento entre setores público e privado

Frederik Van Deurs e Michelle Tacher, do Green Innovation Group e da U.S. Green Chamber of Commerce iniciaram o último dia do ciclo de palestras, conversas e apresentações das startups, falando justamente sobre inovação verde. Maria Rolim, da Offshore Wind, Natalia Castilhos Rylp, da Bloomberg, Thiago Arruda, da European Energy A/S, Alexandre Moraes Ramos, da Universidade Federal de Santa Catarina, Angelica Rotondaro, da Alimi, Ivan Lalovic, da Gybe, Johan Lopes, da UNEP, e o chefe da divisão de Combustíveis e Novas Energias do Ministério de Energia do Chile, Max Correa, complementaram a finalização do GreenTech America Latina refletindo sobre tecnologia energética e economia azul (águas e oceanos).

“Há esperança, porque quando as políticas públicas estão alinhadas e o trabalho do setor privado também está, o mercado começa a se movimentar e o interesse começa a ser gerado, a criatividade deslancha, as coisas se realizam. A empresa começa a valorizar o capital, as pessoas, essas iniciativas, e é o que a gente vê pelo menos aqui no Chile. Acho que ficou claro isso. Então tenho muito interesse, muitos desenvolvedores querem também tomar decisões iniciais com alguns riscos, mas já usando um pouco mais porque veem não somente as benesses econômicas, mas também as questões de um investimento positivo, com retorno mais estável, mais seguro”, comentou Max Correa.

Mais nove soluções foram apresentadas, no campo da energia renovável e da energia azul, pelos representantes das startups responsáveis.

Soluções selecionadas e premiadas

Além dos painéis com especialistas e debates, a edição 2021 do GreenTech América Latina selecionou 21 scale-ups que apresentaram soluções tecnológicas sustentáveis, que possam trazer impacto sustentável e econômico rápido para outras organizações, negócios, investidores e corporações. A divulgação dos selecionados pelo júri especializado ocorreu no dia 22 de outubro, e as startups passaram por sessões de bootcamp de 25 de outubro a 19 de novembro.

As empresas escolhidas tiveram mentorias preparatórias com os patrocinadores do evento (Kearney, Heineken, ESG Risk Guard, Barn Investimentos, Mosimann Horn, Green Bridge Films, Tozzini Freire Advogados), além de premiações em Inteligência Artificial com o Instituto Federal do Paraná e, em Captação de Recursos Não Reembolsáveis, com a Value  Weaver. E ainda, terão acesso a uma assinatura de 1 ano da Head Energia.

As cinco melhores avaliadas pelo júri, após as apresentações no evento foram:

AMAbank (do Brasil, tema Mercados de Carbono): com captação de recursos para a sustentabilidade ambiental na preservação da floresta;

Coletando Soluções (do Brasil, Finanças Verdes): um programa para capacitar pessoas envolvidas com a reciclagem de resíduos a gerar renda para si e para a comunidade onde vivem. O valor apurado em reciclagem é creditado em uma conta digital do participante do programa. O crédito fica disponível para uso por meio de cartão pré-pago, ativo para compras, pagamento de contas e saques, e assim, o modelo promove a inclusão social por meio da bancarização;

Botanical Solutions (Biotecnologia): A Botanical Solutions (BSI) desenvolveu uma tecnologia proprietária que permite um fornecimento escalonável e sustentável dos principais produtos botânicos, sem nenhum dos problemas relacionados à produção atual de matérias-primas botânicas tradicionais e ingredientes ativos.

Uma plataforma de R&D exclusiva e patenteada, baseada na cultura de tecidos vegetais, permite que a BSI descubra e desenvolva produtos botânicos que são sustentáveis, altamente consistentes e econômicos. Essa plataforma de P&D elimina as principais barreiras, como questões de fornecimento e qualidade, que têm impedido que os botânicos tradicionais se tornem realmente bem-sucedidos comercialmente.

FNM Elétricos+Obvio (EnergyTech): objetiva encerrar a poluição por diesel ao propor que se adote caminhões elétricos na logística e comprova essa possibilidade com sua plataforma de TCO positiva (TCO – custo total de propriedade, no caso de frotas, a soma de vários valores como veículos,  manutenções, combustível, softwares, entre outros);

SDW (do Brasil, Economia Azul): que desenvolveu o Aqualuz, um dispositivo que potabiliza a água captada por cisternas utilizadas por famílias de baixa renda em regiões áridas. O Aqualuz resolve o problema de contaminação microbiológica da água, que causa doenças e mortes em crianças.

A vencedoras terão direito a um MBA completo em Empreendedorismo e mais dois cursos de curta duração na Brain Business School. Por fim, a multinacional americana Oracle concederá um pacote de US$ 3 mil em créditos a cada empresa, 70% de desconto nos serviços por 2 anos e o programa de conexões Oracle for Start ups para colaborar no crescimento dos negócios.

 

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