O vidro pode ser totalmente reaproveitado no ciclo produtivo, porém é necessário melhorar sua coleta para que chegue ao destino correto e possa retornar ao processo produtivo em ciclo infinito de reaproveitamento

O Brasil gera, aproximadamente, 80 milhões de toneladas de lixo por ano, sendo que, desse volume, apenas 4% tem sido reciclado. Dados de 2020 da Abrelpe (Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais) mostram que foram desperdiçados 12 milhões de toneladas de produtos recicláveis no ano, deixadas em locais inapropriados. Desse total, 1 milhão de toneladas de vidro foram destinadas de forma incorreta e não puderam ser recuperadas.

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O vidro, se descartado no meio ambiente, pode levar até um milhão de anos para se decompor. De acordo com a Abividro (Associação Brasileira das Indústrias de Vidro), o vidro é o material mais amigo do homem e do meio ambiente e seu reaproveitamento traz benefícios ecológicos, econômicos e sociais. Embalagens de vidro podem ser totalmente reutilizadas para a produção de novos produtos, gerando menor consumo de energia, com menor emissão de resíduos e partículas de CO2, contribuindo assim para a preservação do meio ambiente. Além disso, como é produzido a partir de minerais como areia, barrilha, calcário e feldspato, sua reciclagem e reaproveitamento permite que a quantidade de matéria-prima retirada da natureza seja menor.

E ainda, com menos vidros no lixo comum, reduz-se o custo da coleta urbana e aumenta a vida útil dos aterros sanitários. A instalação de processos de coleta e reaproveitamento do vidro gera empregos que não demandam, em grande parte, mão de obra qualificada, levando oportunidades de emprego e geração de renda à população mais carente.

A Owens Illinois (O-I), líder mundial na fabricação de embalagens de vidro, também é a maior recicladora do material no Brasil. De acordo com Morgana Correa, gerente Jurídica e de Relações Governamentais da O-I e líder do Comitê de Sustentabilidade da O-I na América do Sul, a empresa tem como meta atingir 50% de uso de cacos como matéria-prima para a produção de novas embalagens até 2030. “Somos grandes incentivadores da logística reversa do vidro. Estamos sempre apoiando e liderando ações e causas sobre o tema, como o Programa Volte Sempre, realizado em parceria com a Heineken, por exemplo. Nosso objetivo é conscientizar consumidores, agentes públicos, clientes e entidades representativas para criarmos juntos meios que permitam ampliar a destinação correta das embalagens de vidro”, afirma a executiva.

O desafio da reciclagem envolve melhorias em todas as etapas do processo, desde a separação adequada dentro das casas e estabelecimentos comerciais, até o acesso à coleta seletiva, o beneficiamento (preparação para envio aos recicladores) e a logística. “Entendemos que todas as ações que impulsionem de alguma forma o reaproveitamento do vidro são bem-vindas e necessárias, pois diminuir a geração do lixo é responsabilidade da sociedade como um todo. O vidro é um material sustentável, produzido com matéria-prima da natureza. Não apresenta perdas em seu processo de reciclagem, apenas benefícios para a cadeira produtiva e para o meio ambiente”, comenta Lucien Belmonte, presidente-executivo da Abividro.

Confira dicas de como contribuir para o descarte correto do vidro

  • É importante lembrar que os cacos não podem estar misturados com outros materiais – como terra, pedras, cerâmica, louça, plástico em excesso ou metais (tampas de garrafas) – que podem contaminar o vidro e danificá-lo.
  • Os tipos de vidros que podem, e devem, ser reaproveitados são garrafas de suco, refrigerante, cerveja e outros tipos de bebidas; potes de alimentos; cacos de vidro em geral; frascos de remédios; frascos de perfumes; vidros planos e lisos; para-brisas; vidros de janelas; pratos, tigelas e copos.
  • Na hora de destinar o lixo reciclável, as pessoas devem separar os vidros em sacolas grossas ou caixas de papelão, embalados em jornais, para que não machuquem quem for manuseá-los. Não é necessário lavar todos os vidros para o descarte, bastando tirar possível excesso de produto apenas para evitar mau cheiro.
  • Caso não haja coleta seletiva para a casa ou condomínio, é possível procurar os pontos de entrega voluntária (PEVs). A prefeitura da cidade de São Paulo, por exemplo, disponibiliza em seu site os endereços desses locais, chamados de Ecopontos:

http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/subprefeituras/noticias/index.php?p=250404

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