Por meio da compensação ambiental, empresas e cooperativas promovem a reciclagem de resíduos em conformidade com a PNRS. Tecnologia de ponta confirma transparência, rastreabilidade e segurança jurídica de todo o processo

Novas tecnologias de rastreamento, segurança de dados, blockchain e IA (Inteligência Artificial) podem soar como algo restrito a um universo hi-tech. Porém, cada vez mais expressões como essas ganham espaço em diferentes áreas. Por isso, a eureciclo, maior certificadora de logística reversa de embalagens do Brasil, aposta em inovação como uma grande aliada no desafio de desenvolver a cadeia de reciclagem e ajudar empresas parceiras na adequação à PNRS (Política Nacional de Resíduos Sólidos).

Garantir a realização da logística reversa em um território tão grande como o Brasil é muito complicado. Para viabilizar o processo, a eureciclo trouxe para o país o mecanismo de compensação ambiental, que consiste na reciclagem de volumes equivalentes. Ou seja, se a empresa não consegue recuperar seus resíduos para destiná-los corretamente, ela pode compensar, enviando materiais proporcionais (em peso e tipo) para a reciclagem.

Para confirmar que o processo realmente foi realizado e não houve nenhum problema no caminho, foi necessário desenvolver soluções tecnológicas capazes de rastrear e evitar, por exemplo, fraudes. “Com o uso de diversas tecnologias, nos últimos anos já promovemos a compensação ambiental de mais de 420 mil toneladas de resíduos sólidos”, explica Thiago Carvalho Pinto, CEO da certificadora.

“Usamos o que há de mais avançado no mundo para oferecer segurança, rastreabilidade, estabilidade e governança para garantir a compensação dos resíduos para mais de 6 mil empresas parceiras”, diz o CTO, Elcio Ferreira.

Homologação de parceiros

A homologação das centrais de triagem é realizada em quatro etapas conduzidas pela certificadora: 1. Análise de documentos; 2. Comprovação de origem e destino; 3. Análise de capacidade operacional e 4. Auditoria in loco.

“Tudo começa com o envio dos arquivos de notas fiscais pelas cooperativas e operadores. Quando elas entram no sistema, são analisadas criteriosamente por algoritmos de rastreamento (IA) e validadas via API, conferindo cada informação em tempo real com a Receita Federal”, diz Ferreira. O API(Application Programming Interface), ou interface de programação de aplicação, é a tecnologia que une um conjunto de normas e possibilita a comunicação entre plataformas diferentes. Neste caso, entre a eureciclo e a Receita Federal.

Depois disso, a equipe de operações da empresa realiza uma visita técnica presencial. Nesse momento, são observadas as condições de trabalho dos funcionários, a disposição dos resíduos, o local onde são pesados, como é feito o controle de entrada do material e emissão da nota fiscal de saída, qual a origem e para quem são vendidos esses materiais. O objetivo dessa checagem criteriosa é comprovar que os materiais são de origem pós-consumo e que as condições de trabalho são dignas e seguras.

Transparência e escalabilidade: como funciona na prática

Empresas que produzem embalagens de plástico ou vidro, por exemplo, devem garantir que no mínimo 22% da sua massa de resíduos seja retirada do meio ambiente, definido pelo Acordo Setorial. Os parceiros da eureciclo podem, também, ir além do que define a legislação e compensar o volume total (100% – para cada embalagem, uma outra igual é reciclada) e até mesmo o dobro (200% – para cada embalagem, outras duas iguais são recicladas).

Mas como o processo é validado? “Para a certificação, a plataforma faz diversas verificações de segurança. Algoritmos complexos conferem a jornada do material (origem e destino) em toda cadeia, a capacidade dos operadores e a checagem de não colidência (sem duplicidade de massa) nas declarações de notas fiscais, tornando as informações confiáveis e prontas para serem incluídas no marketplace eureciclo – e que poderão dar lastro aos certificados. É a tecnologia que evita fraudes e garante que não há greenwashing”, afirma o CTO.

“Match” da compensação ambiental

A próxima fase traz, literalmente, um “match” entre oferta das cooperativas e operadoras e demanda dos clientes interessados em compensar suas embalagens pós-consumo.

“No nosso marketplace entra em cena outro conjunto de tecnologias de algoritmos com Inteligência Artificial, que fazem milhares de combinações por segundo para atender a demanda. Depois disso, com tudo validado, o certificado está pronto para ser emitido, registrado em rede Blockchain, que garante a imutabilidade dos dados, tornando-os auditáveis”, completa o CTO.

Entendendo o blockchain

Para quem não conhece, o termoblockchainsurgiu em 2008, em um artigo acadêmico escrito pelo suposto criador da Bitcoin, Satoshi Nakamoto. A tecnologia nada mais é do que um livro contábil descentralizado, que faz o registro de uma transação de forma confiável e imutável.

Na eureciclo, a tecnologia é empregada como forma de comprovar que as embalagens passaram por todo o ciclo e voltaram à cadeia produtiva após a reciclagem. Além disso, o sistema impede que a mesma tonelada de material reciclado por uma cooperativa seja vendida mais de uma vez, gerando duplicidade no processo. “Os Certificados de Reciclagem ficam gravados no nosso sistema, em conformidade com a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados), aumentando a governança e segurança da informação”, conclui.

Portanto, podemos afirmar que a tecnologia disponível já deixou de ser uma simples ferramenta e passou a ser uma aliada (de peso) da sustentabilidade. Unir inovações, plataformas e funcionalidades tecnológicas é permitir que o mercado da reciclagem e da compensação ambiental evolua aos mais altos níveis de segurança. Como as discussões sobre “falsas afirmações” continuam em alta, todo cuidado deve ser levado em consideração.

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