Se até mesmo as medalhas podem ser feitas com material 100% reciclável de celulares e laptops, ONG dá dicas para descartar esses equipamentos e impulsionar o reaproveitamento

A superação dos atletas, a união entre países, pessoas e culturas diferentes e a celebração ao esporte. Um grande evento esportivo serve de inspiração e ainda conscientiza sobre sustentabilidade e meio ambiente. Se alguém ainda duvida disso, basta ver que o objeto de desejo de todo atleta, a medalha, também é feito com material 100% reciclado proveniente de equipamentos eletrônicos, como celulares, laptops, computadores… Um legado para muitas gerações no campo da sustentabilidade.

Com todo esse clima esportivo e sustentável, o Instituto Akatu – principal ONG do país dedicada à sensibilização e à mobilização para o consumo consciente – prepara uma série de dicas para os consumidores se manterem cada vez mais inspirados e contribuírem para o descarte adequado e para a reciclagem desses materiais.

Canecas Personalizadas

Segundo o Comitê Olímpico Internacional, as cerca de 5 mil medalhas desta edição dos Jogos Olímpicos foram produzidas inteiramente com metais extraídos de equipamentos eletrônicos. Para isso, a entidade mobilizou toda a população local: o governo japonês recolheu 78,9 mil toneladas de lixo eletrônico, o que corresponde ao peso de quase 5 mil ônibus. E a maior operadora de telefonia local coletou 6,21 milhões de smartphones. Esta é a primeira vez que uma Olimpíada atinge esse marco – nos Jogos do Rio, em 2016, 30% das medalhas de prata e bronze derivaram de materiais reciclados.

“A iniciativa do Japão ilustra bem os múltiplos benefícios da reciclagem: além de recolher uma grande quantidade de equipamentos que poderiam se acumular em aterros ou lixões, a ação deu uma nova vida a materiais que ainda tinham valor. A mensagem que fica extrapola a maior competição esportiva do mundo”, afirma Felipe Seffrin, coordenador de comunicação do Instituto Akatu.

Confira as dicas:

  • Não descarte eletrônicos (ou qualquer outro tipo de material) na natureza, na rua ou em terrenos abandonados
  • Verifique no site da prefeitura do seu município se existe alguma iniciativa pública para recolher celulares, computadores, laptops e outros equipamentos eletrônicos
  • Localize o ponto de coleta ou ponto de entrega voluntária (PEVs) mais próximo da sua casa por meio da plataforma da Associação Brasileira de Reciclagem de Eletroeletrônicos e Eletrodomésticos, do portal e- Cycle ou da gestora de logística reversa Green Eletron
  • Verifique se o fabricante do seu equipamento possui um programa de logística reversa, em que ele recolhe o produto para então dar a ele uma destinação adequada
  • Antes de descartar, doe equipamentos que você não usa mais, mas estão em bom estado, para organizações sociais que possam fazer melhor uso deles
  • Outra opção é vender equipamentos em bom estado no mercado de segunda mão, ou, ainda, vender a sucata eletrônica para organizações que compram esses resíduos.

Vale lembrar que: o Brasil é 5º país que mais gera lixo eletrônico no mundo, com uma média de 1,5 milhão de toneladas por ano, atrás somente de China, Estados Unidos, Índia e Japão, de acordo com o Global E- Waste Monitor 2020, das Nações Unidas. O problema é que reciclamos somente 3% de todos os celulares, computadores e equipamentos eletrônicos recolhidos.

A questão também é econômica: estima-se que o Brasil perde cerca de US$ 2,2 bilhões por ano com a má gestão ou o subaproveitamento de resíduos eletrônicos. Ou seja: se fizermos a destinação correta de celulares e computadores estimulando a reciclagem de materiais causamos impactos positivos para a sociedade, para o meio ambiente e para a economia.

 

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