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Estudo do IMar/Unifesp revela que bitucas de cigarro liberam substâncias tóxicas em praias e no oceano

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Análise comprovou alta incidência do lixo tóxico nas praias de Santos (SP)

Não é novidade que a bituca de cigarro é um resíduo que se configura entre os maiores contaminantes dos oceanos. De acordo com um relatório da ONG Cigarette Butt Pollution, de 2018, ao longo de 32 anos o item foi o mais coletado nas praias em todo o mundo, somando aproximadamente 60 milhões de unidades.

Um estudo inédito do Instituto do Mar, da Universidade Federal de São Paulo (IMar/Unifesp) – Campus Baixada Santista, publicado no periódico científico Waste Management , identificou a ocorrência e analisou a toxicidade das bitucas de cigarros nas praias de Santos (SP). Os resultados comprovam que esses filtros representam um risco potencial aos ambientes onde são descartados e, por isso, os pesquisadores concluem que a adoção de políticas públicas que visem minimizar esse problema é fundamental.

O trabalho foi publicado pela pesquisadora Christiane Freire Lima, aluna de mestrado do Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade e Ecologia Marinha e Costeira, do IMar/Unifesp. Com a orientação principal do docente e vice-diretor do instituto, Prof. Ítalo Braga Castro, o estudo foi conduzido a partir da preocupação com o descarte inadequado de lixo no mar em Santos e seus impactos sociais, econômicos e ambientais.

Políticas Públicas

Segundo Castro, os resultados da pesquisa demonstraram que a bituca de cigarro é um problema sério, que leva a muitos compostos químicos perigosos ao ambiente e que podem matar ou causar danos reprodutivos graves nos organismos aquáticos – tanto para os habitantes da água quanto para os que vivem enterrados nos sedimentos do mar.

“É importante ressaltar que o cigarro tem mais de sete mil substâncias tóxicas. Quando ocorre o ato de fumar, muitas dessas substâncias ficam retidas nas bitucas que, ao serem lançadas no ambiente, funcionam como verdadeiras bombas químicas, contaminando o ambiente”, complementa o professor.

Os cientistas ressaltam que mais estudos para compreender outros aspectos do comportamento de bitucas em diferentes compartimentos ambientais, bem como ensaios ecotoxicológicos que envolvam outros grupos tróficos, são recomendados e ajudarão a fornecer informações de amparo a políticas públicas em relação a produtos derivados do tabaco. Por isso, os próximos passos devem estudar a toxicidade das bitucas, sobre outros grupos de organismo e sobre outras condições ambientais – como, por exemplo, em água.

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